quarta-feira, 22 de abril de 2015

Agora é a vez do "bifinho"...

Bem o objetivo principal desse blog é fazer uma comparação do Danoninho com um “bifinho” e ver se a celebre frase da propaganda que marcou uma geração faz mesmo sentido, mas antes que tal prendermos um pouco mais sobre esses dois? Na postagem anterior falamos sobre o Danoninho e por isso nessa falaremos sobre o seu concorrente...

Estudos antropológicos indicam que a evolução do Homo sapiens ocorreu com grande participação da carne de caça na dieta, em período de tempo entre 3 a 4 milhões de anos, sendo, inclusive fundamental para o grande desenvolvimento do nosso sistema nervoso central.

A carne pode ser considerada como um alimento nobre para o homem, pois serve para a produção de energia, para a produção de novos tecidos orgânicos e para a regulação dos processos fisiológicos, respectivamente, a partir das gorduras, proteínas e vitaminas constituintes dos cortes cárneos.

O grande mérito nutricional da carne é a quantidade e a qualidade dos aminoácidos constituintes dos músculos, dos ácidos graxos essenciais e das vitaminas do complexo B presentes, tendo também importância o teor de ferro.

Sobre a sua constituição:
Proteínas
A proteína miofibrilar da carne apresenta elevado valor biológico pela disponibilidade em aminoácidos essenciais e pela sua digestibilidade, que carne varia de 95% a 100%, e por a proteína da carne contém todos os aminoácidos essenciais ao ser humano.

Lipídeos
Existe uma grande variação, dependo de fatores como sexo, raça e alimentação do animal, no teor de lipídeos presentes na carne. O valor energético da gordura da carne é da ordem de 8,5 cal/g. Além do aspecto energético, a gordura da carne é importante pelos ácidos graxos essenciais, colesterol e vitaminas lipossolúveis, sendo também indispensável para os aspectos organolépticos de sabor e uso culinário. A digestibilidade da gordura varia em função dos ácidos graxos constituintes, sendo que a gordura interna (mais saturada) tem digestibilidade em torno de 77% enquanto a externa (peito) chega a 98%.

Vitaminas
A principal importância das vitaminas se verifica pela sua participação nas enzimas do organismo humano. A carne apresenta todas as vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), as hidrossolúveis do complexo B (tiamina, riboflavina, nicotinamida, piridoxina, ácido pantotênico, ácido fólico, niacina, cobalamina e biotina) e um pouco de vitamina C. O grande mérito da carne como fonte de vitaminas é pela disponibilidade em vitaminas do complexo B, que exercem funções indispensáveis ao crescimento e à manutenção do corpo humano. 

Minerais
Estão presentes todos os minerais, destacando-se a presença de ferro, fósforo, potássio, sódio, magnésio e zinco. Cabe destaque o fato de que a carne apresenta-se como fonte expressiva de ferro, onde se ressalta que de 40% a 60% desse elemento é altamente absorvível.

Água
Cerca de 70% a 75% do músculo é constituído de água. A importância da água da carne não é direta, mas pela sua função transportadora, já que serve de veículo para muitas substâncias orgânicas e inorgânicas. Além disso, ela é parte integrante das estruturas celulares.


A carne bovina é um alimento extremamente nutritivo. Ela tem elevada densidade energética e nutricional, o que facilita o balanceamento das dietas. Melhora a absorção de minerais (Fe e Zn) e contribui com ácidos graxos essenciais e de ação metabólica (e.g. CLA e ômega-3). Também é um alimento muito desejado e a restrição dele nas dietas pode ser considerado para a maioria das pessoas como perda de qualidade de vida, mesmo que essa restrição não esteja gerando qualquer outro problema de saúde (como anemia).

Gostou? Já escolheu um vencedor?

Referências:

  • MEDEIROS, Sérgio Raposo de. Valor nutricional da carne bovina e suas implicações para a saúde humana / Sérgio Raposo de Medeiros — Campo Grande, MS : Embrapa Gado de Corte, 2008. 30 p. ; 21 cm. -- (Documentos / Embrapa Gado de Corte, ISSN 1983-974X ; 171).
  • http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/doc/doc77/01introducao.html

terça-feira, 14 de abril de 2015

Conhecendo o danoninho

Hoje, vamos conhecer um pouco mais sobre o que é um Danoninho, como se dá sua produção e quais são seus componentes nutricionais. O danoninho na verdade é um Petit Suisse da Danone e não um iorgute, essa diferença ocorre no seu modo de produção que consiste na pasteurização, na fermentação e na concentração de leite de vaca, até que ele se torne um queijo fresco, não maturado. E posteriormente pede ser adicionado vitaminas, polupa de frutas e minerais. Diferentemente do iorgute, na sua frabicação tem uma etapa de concentração da massa, devido a retirada do soro do leite, o que resulta em uma consistencia mais densa do danoninho.
A produção de queijo Petit Suisse é tradicionalmente realizada nas industrias de laticínios pelo método da centrifugação da coalhada ácida, obtendo-se a massa básica, conhecida como queijo quark. Esta é posteriormente adicionada de sabor, embalada e comercializada sob refrigeração como queijo Petit Suisse (MORGADO ; BRANDÃO, 1992).
O queijo Petit Suisse é um pequeno queijo, feito com leite de vaca coagulado por acidificação e adicionado da nata necessária, de modo que o queijo contenha pelo menos 60 % de gordura no extrato seco. Sua textura é cremosa e sua massa é obtida pelo processo de coagulação mista, podendo ser adicionado de condimentos doces ou salgados. Suas principais características são o gosto acidulado, levemente salgado, textura muito branda (ALBUQUERQUE, 2002), sendo consumido como sobremesa e dirigido principalmente ao público infantil.


Como ingredientes obrigatórios para a fabricação do Petit Suisse estão as bactérias lácteas específicas e/ou coalho e/ou outras enzimas coagulantes apropriadas. Como ingredientes opcionais, podem ser empregados leite concentrado, creme, manteiga, gordura anidra de leite, caseinatos alimentícios, proteínas lácteas, outros ingredientes sólidos de origem láctea, soros lácteos, concentrados de soros lácteos (BRASIL, 2000).
O desenvolvimento de um queijo tipo Petit Suisse probiótico visa adicionar certas bactérias láticas capazes de exercer efeitos benéficos ao hospedeiro. Atualmente, a definição aceita internacionalmente para probióticos é que eles são microrganismos vivos que, administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro (SANDERS, 2003; FAO/WHO, 2005).

               
   As culturas láticas empregadas na produção de queijo constituem-se em culturas mesofílicas e termotolerantes, com temperaturas ótimas de multiplicação de cerca de 30 ºC e de 45 ºC, respectivamente. As culturas termofílicas são compostas, basicamente, de culturas isoladas de Streptococcus thermophilus ou associadas a diversas espécies de Lactobacullus. As culturas mesofilicas são classificadas em dois tipos: LD, caracterizada pela produção de aroma e CO2 a partir do citrato, e O2, pela produção de ácido, não acompanhada da produção de gás (HOIER et al., 1999).







Fluxograma das etapas de produção empregadas para o queijo Petit Suisse.



Agora que conhecemos o modo de produção do danoninho, que tal obeservamos os componentes nutricionais dele.


Será que com esses valores nutricionais, podemos dizer que ele vale por um bifinho? Qual diferença pode existir entre os aminoácidos presentes no leite e na carne? Será que são equivalente ou são diferentes? Será que podemos substituir e seguir as orientações do comercial do Danoninho?

Referências:
DANONE <http://www.danone.com.br/nossas-marcas/danoninho/> Acessado em 14 de abril de 2015.

Google Imagens


ANA CRISTINA DE OLIVEIRA; ANGELA REGINA DEOLA: RAQUELI PAULA ELIAS ,Universidade Tecnológica Federal do Paraná, ELABORAÇÃO DE PETIT SUISSE SABOR MORANGO ADICIONADO DE FIBRAS E PROBIÓTICO, trabalho de conclusão de curso, 2013.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

A Influência das Propagandas de Televisão na Alimentação dos Jovens.

Muitos são os fatores que influenciam nas escolhas das crianças e dos adolescentes, como autoimagem, valores, necessidades fisiológicas, preferências pessoais, experiências e conhecimentos, busca por autonomia, questionamento dos padrões familiares, interação grupal e a mídia, especialmente a televisão (TV). A TV aberta é a maior fonte de lazer e informação da maioria da população, moldando a visão de nós mesmos e da vida à nossa volta. Somos sobrecarregados com diversas informações sobre os mais variados assuntos e quando o ouvinte é uma criança ou um adolescente, muitos hábitos podem ser reforçados por mensagens diretas ou indiretas presentes na programação e nos comerciais. Com relação a alimentação, a maior fonte de informação sobre alimentos na televisão são os comerciais.

Um importante comercial sobre alimentos fora divulgado na talevisão brasileira a alguns anos. Tal comercial, por demonstrar um tema interessante de um ponto de vista bioquímico, tornou-se o tema de nossos futuros estudos no vasto mundo da bioquímica. Trata-se do comercial "Danoninho vale por um Bifinho" apresentado a seguir:




Propagandas como a demonstrada a pouco visavam influenciar principalmente crianças e adolescentes, tentando criar padrões de consumo.


Anúncios de televisão possuem intenso marketing visando estabelecer crenças nutricionais, atitudes e padrão de consumo da juventude, por saber que essa população, ainda com seu aporte psicológico em formação, é susceptível a consumir aquilo que é valorizado por ela, a fim de sentir um “pertencimento social”. Os jovens são vistos como os primeiros indivíduos dispostos a aceitar novas idéias, o que justifica o interesse da mídia em direcionar os anúncios a essa população.

No período de agosto de 1998 a março de 2000, uma pesquisa realizada no Brasil sobre as propagandas veiculadas em diferentes horários na televisão mostrou que os alimentos são os principais produtos anunciados. Entre eles, 57,8% estavam no grupo de gorduras, óleos, açúcares e doces, e 21,2% eram do grupo de pães, cereais, arroz e massas. No período da pesquisa não foi veiculada nenhuma propaganda sobre frutas e vegetais. Em 2005, uma nova pesquisa foi realizada e os resultados foram similares aos encontrados por Almeida et al. em 2002. Através da gravação da programação matutina, vespertina e noturna de 3 canais abertos durante 30 dias, foi constatado que do total de 840 propagandas de alimentos veiculadas nesse período, 47,3% pertenciam ao grupo dos açúcares e doces, seguido por óleos e gorduras (19,3%), pães, cereais, raízes e tubernáculos (7,9%), leite e derivados (7,3%), e carnes (1,8%). Novamente, não foi veiculada nenhuma propaganda sobre frutas e vegetais. Esse estudo teve ainda por objetivo verificar a que público tais anúncios eram direcionados, e o resultado mostrou que a maioria se dirigia a crianças, e, em segundo lugar, a adolescentes. Comerciais de biscoitos recheados e chocolates (dois dos produtos mais anunciados em todo o período da pesquisa), iogurtes, como no caso do Danone, salgadinhos, maioneses, fast food e refresco em pó tiveram maior inserção no período da manhã, especialmente em programas voltados ao público infantil. Além desses alimentos, propagandas destinadas a 25 crianças também anunciavam achocolatados, balas, cereais, goma de mascar, salgadinhos e sobremesas, normalmente utilizando elementos que apelam para suas necessidades sensoriais, psicológicas e sociais.

Para adolescentes, prevaleceram os anúncios de achocolatados, balas, cereais, chocolates e refrigerantes, com utilização de temas relacionados a essa fase como o “ficar” e “curtir”, ambientados em lugares preferidos desse público, como bares e colégios. Esses anúncios apelam principalmente para o desejo dos jovens de conquistar parceiros e se aventurarem. Nota-se que as propagandas de alimentos em geral enfatizam as emoções em suas mensagens, em sua maioria associando o consumo do produto a uma sensação de prazer, com recompensas sociais e satisfação do ego.

Considerações sobre ingredientes e textura dos alimentos normalmente não possuem caráter informativo e sim persuasivo, apelando para o apetite do consumidor. Tais anúncios podem acabar transmitindo ao jovem uma ideia equivocada do que é um alimento saudável, pois muitos contêm mensagens enganosas sobre os reais valores nutricionais dos produtos. O uso de promoções em comerciais direcionados a esse público-alvo também é muito comum, vinculando aos produtos prêmios ou brindes, muitas vezes colecionáveis. Há forte apelo para que o ouvinte adquira o produto, utilizando argumentos que mexem com o psicológico das crianças, ou que fazem alusões a personagens do universo infanto-juvenil, capazes de despertar intenso desejo de consumo. Músicas, jingles e slogans, de fácil memorização, também são recursos utilizados para atrair a atenção do telespectador. Considerando que os jovens são expostos a aproximadamente 150 a 200 horas de mensagens comerciais por ano, somando algo próximo a 20.000 anúncios, percebemos como é grande a influência da mídia no campo da alimentação.

Além disso, a mídia molda comportamentos através de exemplos - normalmente pessoas bonitas e bem sucedidas, extremamente magras, anunciando refrigerantes, redes de fast food e outros alimentos, 26 via de regra ricos em açúcar e gordura. Isso acaba influenciando negativamente os valores dos jovens, que passam a achar o consumo desses alimentos normal ou pertinente, e criam expectativas irreais sobre as conseqüências de maus hábitos alimentares, já que as estrelas da televisão raramente são obesas ou sofrem de problemas de saúde relacionados à má alimentação. Ao contrário dessas “estrelas”, as crianças e os adolescentes estão se tornando cada vez mais obesos, apresentando risco de desenvolver diversas doenças crônico-degenerativas. Além do incentivo ao consumo de determinados alimentos, o tempo gasto vendo televisão limita a realização de atividades importantes, como brincar, ler, praticar atividades físicas e interagir com amigos e familiares, o que contribui para a inatividade, cultivando um hábito sedentário que leva a uma diminuição do gasto energético, sendo assim um importante fator associado à obesidade e ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis.  

Concluimos, portanto, do que já foi citado que alguns anúncios sobre alimentos podem transmitir aos jovens uma idéia equivocada dos valores nutricionais de um produto. Estaria o comercial da Danone induzindo de forma errônea os jovens telespectadores a valorizar mais um pequeno pote de Danone que uma fatia de bife? Afinal, um Danoninho vale por um Bifinho?

Referências
Influência das Propagandas de Televisão na Alimentação de Crianças e Adolescentes, Érica Blascovi de Carvalho